O que é o Kyudo?
O Kyudo tem muito em comum com as artes japonesas
da cerimônia do chá (chado), caligrafia (shodo),
esgrima (iaido) e tantas outras que tão bem espelham o coração e a
mente dos japoneses. O Kyudo é rico em história e tradições, e é
muito respeitado no Japão. Muitos o consideram como uma das mais puras artes marciais (budo).
No passado, o arco era utilizado para diversos propósitos: caça, guerra, jogos e rituais da corte, cerimônias religiosas e torneios. Muitos dos jogos e rituais ainda são praticados atualmente, mas o arco japonês perdeu a sua utilidade como arma há muito tempo atrás. Hoje em dia, o Kyudo é praticado principalmente como um meio de desenvolvimento físico, moral e espiritual.
A combinação de graça, dignidade e tranqüilidade dá ao Kyudo um ar solene, quase religioso, mas Kyudo não é uma religião. Ele recebeu, no entanto, grandes influências do Shinto (a religião nativa do Japão) e do Zen- budismo. O Shinto se manifesta mais visivelmente na cerimônia, na indumentária e no respeito demonstrado ao arco, flechas e Dojo (local onde é praticado). A influência Zen se dá mais na filosofia e prática do Kyudo.
A técnica do Kyudo não é particularmente difícil. Os fundamentos do disparo são relativamente fáceis de aprender, e com alguma prática a cerimônia também se torna quase que um reflexo. Mas não se aprende Kyudo apenas para se aprender a atirar flechas. Um praticante de Kyudo, na realidade, nunca chegará a compreendê-lo em sua totalidade, por mais tempo que se dedique a praticá-lo, na verdade, ele estuda o Kyudo não apenas para aprender sobre a arte, mas principalmente para aprender a respeito de si mesmo.
A História do Kyudo
As origens do Kyudo estão
cercadas de mitos e lendas. Note-se que Jimmu Tenno, o lendário primeiro
imperador do Japão, é sempre representado com um arco e flechas, o que ilustra a
importância do arco como símbolo de poder e autoridade nos primórdios da história do
Japão.
Há inúmeras lendas a respeito de grandes guerreiros que eram exímios arqueiros nos tempos antigos. Os mais famosos são Minamoto no Tametomo e Nasu no Yoichi.
Minamoto no Tametomo teria sido um homem de excepcional força e estatura. Seu arco era tão poderoso que precisava de cinco homens "normais" para puxá-lo. Um de seus feitos mais famosos seria o de ter afundado um navio com uma única flechada.
Nasu no Yoichi é conhecido pela sua extraordinária habilidade demonstrada na batalha de Yashima onde, respondendo a um desafio, ele acertou um leque colocado no alto do mastro de um navio, ancorado a cerca de setenta metros da costa, atirando montado a cavalo, à frente de ambos os exércitos que se enfrentavam na praia.
Os arqueiros gozavam de grande respeito na sociedade feudal do Japão quando foram introduzidas as armas de fogo no século XVI. O arco como arma de guerra tornou-se obsoleto, e os guerreiros passaram a dedicar-se mais ao arco-e-flecha cerimonial e a torneios de habilidade, como o do templo Sanjusangendo, onde os adversários deviam atirar, sentados, em um alvo situado a cerca de 120 metros, ao longo de um estreito corredor do templo. O recordista neste torneio foi Wasa Daihachiro, que acertou 8.133 flechas de um total de 13.053 disparadas, em um período de 24 horas, ou seja, cerca de 9 flechas por minuto, um feito verdadeiramente inigualável.
Com a restauração Meiji, na segunda metade do século XIX, o Japão se abriu ao ocidente, com os hábitos e cultura européias se tornando populares, e a cultura tradicional sofreu um acentuado declínio. O Kyudo quase que caiu em desuso. Na virada do século, Honda Toshizane, instrutor da Universidade Imperial de Tokyo, combinou elementos dos estilos guerreiros e cerimoniais para criar um sistema "híbrido" de arco-e-flecha, que se popularizou e garantiu a sobrevivência do Kyudo até os nossos tempos.
Após a guerra, a prática de artes marciais foi proibida, e somente em 1949 que foi autorizada a formação do Zen Nihon Kyudo Renmei (Federação de Kyudo do Japão), que estabeleceu os padrões modernos de forma, etiqueta e procedimentos do Kyudo atual. Estima-se que haja atualmente cerca de 500.000 praticantes de Kyudo em todo o mundo, principalmente no Japão.
Equipamentos, Acessórios e Locais
![]() |
O Arco (Yumi) O Yumi é um arco único, em vários sentidos. É longo, com mais de 2 metros de comprimento, e assimétrico, com a empunhadura situada abaixo do centro. É feito artesanalmente, utilizando-se as mesmas técnicas e materiais, bambu e madeira, que já eram utilizados 400 anos atrás. A sua graça e beleza inigualáveis encarnam o espírito do Japão. Atualmente, existem também arcos feitos de materiais sintéticos, como fibras de vidro ou carbono, utilizados mais por iniciantes ou em clubes. |
|
As Flechas
(Ya) |
![]() |
![]() |
A Luva (Yugake) |
![]() |
O Uniforme O uniforme para
a prática do Kyudo consiste no Kyudo-gi (um tipo de
kimono branco), no Hakama (uma espécie de "saia-calça"
preta), no Obi (faixa) e nos Tabi (meias). Mulheres
podem ainda utilizar o Muneate, um protetor para o tórax. |
O Alvo (Mato)
Há diversos tipos de alvos em uso atualmente, mas o mais comum
mede 36 centímetros de diâmetro, consistindo de uma moldura cilíndrica de madeira ou
plástico com uma face circular de papel. O alvo é posicionado a cerca de 9 centímetros
do chão, levemente inclinado para trás, sobre um anteparo de areia ou terra.
O Dojo
Um Dojo padrão é construído para que grupos de
3, 4, 5 ou múltiplos de 5 arqueiros possam disparar juntos em alvos individuais, com
movimentos coordenados. A distância entre os arqueiros e os alvos é de 28 metros.
O Makiwara
O Makiwara é um cilindro compacto de palha de
arroz, colocado sobre um suporte de madeira, utilizado para a prática do Kyudo
em locais de pouco espaço. O arqueiro se posiciona a uma pequena distância do
Makiwara.
A Prática do Kyudo
O ato de se disparar a flecha no Kyudo
é dividido em 8 estágios fundamentais, conhecidos como o Hassetsu.
Estes estágios são: Ashibumi (posicionando os pés). Dozukuri
(corrigindo a postura), Yugamae (preparando o arco),
Uchiokoshi
(erguendo o arco), Hikiwake (puxando o arco), Kai ,
Hanare
(soltando a flecha) e Zanshin (a "continuação").
Ao se executar esses 8 passos, há diversos fatores a se considerar, tais como: a postura do corpo, a empunhadura (Tenouchi), a maneira de se ver o alvo (Monomi), a respiração, a mira, o excesso de tensão dos músculos e muitos outros, cruciais no resultado do disparo. Como em toda arte marcial, no entanto, o mais importante é a prática e a perseverança.
Comentários e sugestões, podem ser enviados por E-mail.
Luís Panizo
Fone (11) 9246-9417
panizo@netesportes.com
Veja mais:
Cursos / para
Empresas / Eventos /
Robin Brasileiro /
Página Inicial / História / Retrospectiva /
Vila de Caras / nas Faculdades /
Corrida de Aventura / Desafio Olímpico
/ Jogo / Caça
®1997 a 2008